sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

(Para) psicologia

Do Ary, para todos:

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lazudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:

Poeta castrado não!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Vícios e virtudes


Que eu sou do tipo de gente que é cheia de virtudes não é novidade para ninguém. Quem me conhece e quem se cruza comigo mais do que 2 minutos por dia sabe bem do que eu estou a falar: de presunção e água benta... ora bem, era disso mesmo. (não se incomodem os leitores, eu estava semi, a modos que a brincar). Acontece que nem tudo são pérolas...os vícios são fortes, pegam-se à pele e custa fazê-los sair...e custa mesmo (44 mocas quinzenais para o fármaco anti-tabagismo). Anyway, hoje fui a uma consulta de cessação tabágica e marquei o meu dia D (cigarros 0) para dia 1 Janeiro de 2010. Até lá, e a partir daí, vou ser EU, Nuno Ribeiro Ferreira + a bupropiona (o fármaco)+ as pastilhas elásticas...todos, os 3, a lutar contra o belo do cigarro.
O resultados possíveis são: (1) em Janeiro, voltar à consulta, dizer que nada funcionou e propor-me para a terapia com electrochoques (assim cura-se, pelo vistos, mais outras ceninhas...), (2) tudo correr bem, eu não pensar mais sequer em respirar o fumo do tabaco, fazer exercício (montes), ficar com um corpo daqueles não danone (que não gosto), mas mimosa que já é "mais bom", (3) eu sem fumar, sem fazer exercício, gordo que nem um texugo, a subir pelas paredes e a gritar com tudo o que é gente, cheio (mas cheínho mesmo) de "nervos".


Até lá, por favor, torçam por mim, digam coisas que me acalmem (e não o contrário), não me contrariem, não me contradigam, não me façam passar da cabeça... por favor, sim? É que o médico disse (disse e bem que eu bem ouvi) que eu sou um homem doente-quase, que está a tentar deixar de fumar e que NÃO PODE SER CONTRARIADO.


PS. Daqui para a frente, em todos os posts, vão registar-se o número de cigarros que fumei até então....o objectivo é que o número decresça até dia 1 Janeiro, dia em que, se todos os santinhos ajudarem, passarei ao regime O. Hoje, não registo número nenhum, porque esta treta toda só começa amanhã. (hihihi).


PS2 Eu não tenho as unhas pintadas, para que conste dos relatos. A imagem é uma metáfora visual.

O caminho faz-se andando



Os tempos são de mudança, absolutamente. Não é só um ano que se deita fora e se enterra na memória das coisas boas e das coisas más... mas é O ano que agora termina e que se afigura pilar e degrau último do ano que está para nascer.


Novas pessoas, novas palpitações, nova casa, um emprego que surge quase novo, uma carreira que nasce como uma agradável pincelada primordial de um quadro que está longe de estar concluído e exibido,um futuro que não sei como se vai apresentar...a única coisa que sei dele é que vai chegar para depois, quase instantâneamente, passar, ele próprio, a enterrar-se nas memórias de passado. É o ciclo do "foi, é e será", ciclo eternamente repetente e repetidamente eterno. O que se vive hoje, vai ser passado amanhã, e o que se viverá depois disso, será passado, quando, por ele, passar o tempo.


Mais... são sentimentos múltiplos, esboços de algo que há-de vir, um futuro incerto, duvidoso, que se contrói com certeza e medo ao mesmo tempo. O momento é agora e o caminho só se faz "andando".


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

(not yet) a home sweet home

Depois de algumas horas passadas em frente ao computador, a navegar pelo terrível mundo imobiliário, informo os (estimados) leitores deste (estimado) blog de que estou prestes a convulsivar efusivamente em cima deste teclado em que escrevo. A razão do terrível decréscimo do meu (novo) limiar convulsivo é simples: ou me aparecem casinhas de sonho, como a da foto (da qual eu serei proprietário certo quando trabalhar para a corporacion dermoelástica) e que, modestia à parte, encaixava que nem um fato de corte italiano da Boss na minha igualmente modesta pessoa, ou então, surgem-me outros "imóveis" , onde realmente o bom gosto e o decoro se "imobilizaram" algures no tempo perdido da peste bubónica, em que nem a mais reles das criaturas rastejantes gostaria de passar mais do que 2 minutos da sua já curta e miserável vida.


Como tal, resta-me suspirar (suspirei agora mesmo) e sonhar com aqueles ditos cujos fatos, que eu, de facto, um dia usarei quando estiver a abrir a porta da dita cuja casa, após um dia estafante passado a brincar aos médicos, num serviço de saúde ou corporacion perto de si. Por falar em fatos...KA-CHING!!

PS. o que vale é que, mal ou bem, até vou sendo feliz, assim com jeitinho e de vez em quando.



















terça-feira, 1 de dezembro de 2009

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O mundo e as ideias de secura


deus como uma ideia de si próprio. A propósito do post de Carlos Vidal, que vale bem a pena ser lido e treslido.

"Confesso que estava a adorar ler o seu texto, Carlos Vidal, até ao fim do primeiro parágrafo, mas depois fiquei abismado, pla forma, enfim “seca”, como se refere ao suposto ateísmo, ele também seco, e pela forma como minimiza e relativiza estas questões.


Vou dar-lhe então a minha opinião pessoal. Obviamente que o sagrado existe, nem consigo conceber um mundo sem a ideia do sagrado e do profano…mas creio que se engana redondamente ao eleger a ideia do sagrado como o adversário do ateismo, até porque não existem adversários….Chama secos a quem não reconhece deus como deus, quem não lhe atribui qualquer significado que não o meramente histórico, ou aquilo que ele representa, enquanto ideia que é (para mim está mais do que claro que deus e toda a circunstância do divino existem, no ambito meramente das ideias, são o produto, complexo, de uma intensa actividade neuronal, que foi surgindo, à medida que o Homem se cerebralizou). Creio por isso que deus, ou melhor, a ideia de deus, é fruto necessário da evolução dos sistemas nervosos ditos superiores. de reparar que, aparentemente, todo o ser vivo dotado de sistemas neuronais menos complexos, aparentemente, não tem a ideia desta coisa que é o divino. O que me custa perceber, carlos, e isso não entendo mesmo, é como se apelida de “seca”, uma visão do mundo que se pretende descolada das ideias do divino, que a par da ideia da existência de deus, pretende uma naturalização dos fenómenos, uma explicação que, ela propria, surge e se submete ao rigoroso crivo da prova. Este descolamento do divino, não é um atentato ao divino, per si, em minha opinião, e essa acho que que foi a falácia que cometeu.O que se pretende é o afastamento das visões puramente “esfumadas”, puramente acentes em ideias, sucessões de ideias, encadeadas e que foram passadas ao longo de milénios, passadas, alteradas, radicalmente alteradas ao longo da história,ideias plasmadas em livros “sagrados” que não são mais do que importantíssimas obras de literatura e romance… ideias essas que pariram, na actualidade, um deus novo. O deus de hoje, não é o deus de ontem, nem o deus de há 3000anos…o deus de hoje, que lhe dão a conhecer, ou pretendem dar, foi construido,e sabe bem o carlos onde. A ideia do divino, o divino que todos os dias se lhe apresenta, é um divino construido, é um divino seleccionado, é um divino “comercial”. esta ideia de deus, e deus, ele próprio, não poderiam estar mais longe um do outro. E creio que a falacia aqui, desta vez não sua, mas do ” todo social religioso”, é que não reconhecemos a diferença, nem distinguimos aquilo que é o divino, enquanto matéria prima, e a sua ideia, sobre a qual nos regemos e a partir da qual pretendemos, levianamente, apelidar de “seco” todos aqueles e aquelas que vêm nisto, exactamente o que é, uma ideia concebida, arquitectada, com propósitos que enfim, desconheço.

As palmiras, caro carlos, são absolutamente necessárias. As palmiras, carlos, não são “secas” ,pelo contrário, apresentam-se ao mundo por via da prova,correndo o risco de, pela prova, se molharem… e isto, este risco que todos os dias a ciencia corre (o risco da molha) é produto do seu próprio rigor. A ciência é rigor e exige rigor a tudo o que ela própria produz. A ciencia é mãe e madrasta de si própria…ao contrário, muito pelo contrário, as ideias do divino, essas sim, são “secas”, pois que não se molham nem fazem ideia do que isso é, pois que lá permanecem, no campo das ideias, longe de tudo e de todos, descoladas, á parte do mundo, apresentando-se como ideias e não necessitanto de prova, nem de explicação nem de compreensão…elas necessitam somente que nos calemos perante elas. E isto Carlos Vidigal, é a verdadeira secura.

PS. declaração de interesses: sou ateu e homem da ciência e tenho a mais plena convicção acerca do que são as ideias de deus,a noção/ideia do divino, a noção/ideia do sagrado e do profano, e a noção/ideia da religiosidade do ser humano. Tudo isto existe, não o nego…tudo isto são ideias. Fiquei abismado com esta sua frase :”um laboratório onde o leitor é informado rigorosamente sobre o que deve e não deve (pode e não pode) acreditar”…desconhece o que é, para que serve e sobretudo como se faz ciência. Tem a certeza que esta frase é dirigida às “palmiras” como lhe chama?? É que ela parece-me a definição quase perfeita de tudo o resto, menos do “ateísmo seco”. Parece-me a definição major da religiosidade seca"

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

The GAP


"I've learned that the gap between what we assume people do sexually and what they actually do is enormous. ... " Alfred Kinsey (a propósito de mais um novo e insólito argumento)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Naturalmente







Como bem fez em lembrar Palmira F.Silva, celebramos os 150 anos da publicação d´As origens das espécies, de Darwin. O legado foi enorme...provavelmente só justamente comparado, como bem fez aqui Paulo Gama, a Nicolau Copérnico.

A variabilidade intra-específica, substrato sobre o qual actua a selecção natural, é um dos pontos chave da teoria darwiniana. Assim se define que, quanto mais diversa é a população de determinado meio, maior é a hipótese que, de entre tal diversidade, surjam as características que, perante aquele meio, sejam consideradas adaptativas. Mais tarde se acrescentou que esta variabilidade intra-específica, este motor da evolução, é na realidade, uma variabilidade genética, sendo esta ultima asserção um dos pilares do neo-darwinismo.

Como tal, a natureza que gera a variabilidade é a mesma natureza que actua sobre ela, seleccionando aqueles que, perante dado contexto, possuem as características que lhes permitem uma melhor adaptação...quem sobrevive não é necessariamente o mais forte, mas sim o mais bem adaptado ao meio. O papel do meio, para Darwin, é também essencial. O meio natural gera pressões selectivas sobre a biodiversidade, e essas pressões selectivas são diferentes, dependem do contexto...determinadas espécies que estão bem adaptadas sobrevivem e reproduzem-se, espalhando na natureza os genes que, a elas próprias, conferiram vantagens adaptativas.

As teorias darwinianas não nasceram espontâneamente, não foi uma ideia maravilhosa que se instalou de repente. Ela teve o contributo mais que decisivo da geologia, que deu a Darwin, o período de tempo que ele achava necessário para se consumar a evolução... e nasce, também em geologia, a ideia de que o planeta sofre uma série de transformações, lentas e graduais, ao longo de muitos milhares de anos, em contra posição às teorias catastrofistas, afirmando que a evolução se dá por rupturas abruptas do equilíbrio natural prévio.

Em suma, o legado de Darwin foi de tal forma importante que, ainda hoje, 150 anos depois, se mostra actual...e ainda hoje, a teoria da Darwin gera novas áreas de conhecimento, gera novas ciências a partir da ciência, gera novas conclusões, novos mundos que se desconheciam até então.

Darwin morreu, mas o darwinismo está mais vivo do que nunca, renova-se, melhora-se, reinventa-se nos novos conhecimentos. Tal como se afirma na teoria, ela própria, a teoria, evolui!

Evoluímos, estamos em evolução, somos evolução...

Como bem disse Dobzhansky "nada em biologia faz sentido a não ser à luz da evolução"













sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A prova

Pois bem, ontem, espalhados por Porto, Lisboa, Coimbra, Covilhã, Açores e Madeira, mais de 13oo finalistas do curso de Medicina, agora médicos, realizaram a prova nacional de seriação. Como em tantas outras vezes, a prova era dificil, ambígua, cheínha de rasteiras. Gostaria de dizer que correu bem, mas tal não seria verdade. Resta-me agora aguardar pela chave a ser divulgada, para, por mão propria, ver e admitir os erros e a falta de atenção.
É dificil, para quem vê de fora, perceber a importancia deste exame para quem o faz. Os alunos estudam mais ou menos um ano para isto e em 2h e 30, tem de demonstrar, não o que sabem, mas sim a sua capacidade de detectar a mais ténue das alterações numa longa frase.E assim sendo são depois seriados, da melhor nota para a pior, no sentido de escolherem, daqui a um ano, a especialidade de querem/podem escolher. Arrisco-me a dizer que só cerca de 200 pessoas é que escolhem aquilo que realmente querem, os outros, que não conseguiram notas tão altas, terão de se contentar com o que houver. É o sistema que temos, está mal, está errado, mas não temos outro. Enfim, mas o tormento acabou e resta agora descansar, aproveitar e esperar por Janeiro para começar a trabalhar, num hospital e urgencia perto de si.
PS Um muito obrigada a todos aqueles e aquelas que, antes do exame, me desejaram boa sorte.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Um pequeno interregno por aqui

O autor deste blog, extremamente concorrido e requisitado, (são tantos e tantas que é uma coisa doida, mas eles existem, I know they do), prepara-se para realizar a Prova Nacional de Seriação, para acesso ao Internato Médico, dia 19 de Novembro, pelas 15h, num distrito perto de si.

Prometo voltar soon after that, quanto muito para dizer mal da prova, da ACSS, do ministério da saúde, dos colegas que copiaram descaradamente via PDA´s, do socas, da Celine Dion, do mau tempo lá fora, da Ana Jorge, da Teresa, do Nandes e Nandes, do João, do Pedro, do Luis, dos amores não correspondidos, das dúvidas que corroem a alma, do vai que não vai, do "mas vais-te declarar ou continuar calado?", para falar do "anda lá pra frente, que atrás vem gente" e continuar a dizer mal dos erros hortograficus, das calças que não ficam nada bem no rabo, das pessoas que se opõem à liberdade do amor...certezas só há uma: a de que voltarei, e já sem 500 quilos de harrison sobre os ombros.



domingo, 25 de outubro de 2009

As colourful as I am...



O momento mais horrendo (e ao mesmo tempo aliviante) do meu dia é quando tenho de admitir, intrínsecamente e para mim próprio, que não posso, nem quero ter consideração, respeito ou simpatia por pessoas, coisas ou circunstâncias que têm em comum a capacidade de roubar as cores da minha mente.
Image by Liliana Porter

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

The things that accessorize our days.


"Sometimes, when we lose ourselves in fear and despair, in routine and constancy, in hopelessness and tragedy, we can thank God for Bavarian sugar cookies. And, fortunately, when there aren't any cookies, we can still find reassurance in a familiar hand on our skin, or a kind and loving gesture, or subtle encouragement, or a loving embrace, or an offer of comfort, not to mention hospital gurneys and nose plugs, an uneaten Danish, soft-spoken secrets, and Fender Stratocasters, and maybe the occasional piece of fiction. And we must remember that all these things, the nuances, the anomalies, the subtleties, which we assume only accessorize our days, are effective for a much larger and nobler cause. They are here to save our lives. I know the idea seems strange, but I also know that it just so happens to be true."


From "Stranger than fiction"

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Em nome da Mãe, da filha e do espírito que as enche...Amén






Heresias e blasfémias...ahh, é música para os meus ouvidos!




Caim voltou dos mortos para ensombrar o espírito decidido e robusto (mas que sempre se incomoda e fica com comichão de cada vez que Saramago fala) dos vivos crentes e da "santa" inquis...perdão, igreja, que é una, "santa" católica e apostólica, aka, IUSCA.




A igreja está, como sempre esteve, incomodada com Saramago... Eu sempre estive incomodado com a igreja, e nem por isso ela se calou. Portanto (s), tá a engolir este sapo ateísta, que nós os descrentes, hereges e inundados de pecado agradecemos ao Saramago e também queremos "rezar" sim?

sábado, 17 de outubro de 2009

Se há coisa que eu detesto...

...é ir ter com alguém, querer causar boa impressão, pôr-me a mim mesmo à prova e só me saírem disparates e coisas que não lembra à mais coerente das alminhas. Sinceramente... mas a culpa disto eu sei de quem é.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ele está aí...

...por muito que o queiramos evitar. Resta-nos aproveitar o sol morno do fim de tarde e o cheiro a terra molhada.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A segunda morte política de Cavaco...

...porque a primeira já lá vai há uns anitos largos.

Imagem publicada originalmente no blog wehavekaosinthegarden.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ele não anda bem

O senhor Cavaco não disse nada, não esclareceu nada... as únicas ideias com que fiquei foram:
- Eu sou uma vítima do PS, que me quer encostar ao PSD.
- Qual é o mal de assessores do Presidente terem dúvidas acerca de outras pessoas?- não é bem dúvidas senhor presidente, é a afirmação de que o próprio presidente estaria preocupado com eventuais vigilâncias do governo; se acha que isto não tem mal nenhum e nem é crime nenhum, então eu vou ali e já venho;
-O meu e-mail e computadores da presidência têm problemas de segurança. Pois, até os da CIA têm , senhor presidente, o seu não ia ter porquê? Só agora é que se lembrou disso?
- Tenho dúvidas, muitas dúvidas... mas afinal mais de 1 mês depois, não teve tempo de esclarecer tudo? Ainda tem dúvidas? Por amor à santa...
Fiquei sem saber se o Presidente acha ou não que está a ser escutado. Das duas uma: Se acha e é verdade, terá de o provar em primeiro e demitir Sócrates logo depois. Se acha que é mentira, tem de provar primeiro e depois então afastar, verdadeiramente afastar, os assessores guionistas de novela policial e pedir desculpa ao Povo, ao PS e ao Governo.
Este discurso todo da vitimização do Presidente é totalmente incoerente. Lembrar-se-á Cavaco Silva de que esta inventona partiu de lá, da Presidência? E agora a culpa é dos outros? Sinceramente, sr presidente, ou toma tino ou tem de voltar para o sítio de onde veio.

domingo, 27 de setembro de 2009

Today is the day

Encontrei esta foto inacreditável dos inacreditáveis que protagonizam o dia de hoje publicada aqui. Não deixem de votar. Têm muito por onde escolher: o/a personagem-maravilha, o homem/mulher elástico (a) que estica até aguentar, a besta per si, o/a super-speed, que tão depressa diz uma coisa, como logo a seguir diz outra e por fim o/a invisível, que ora está, ora deixa de estar. Cabe-lhe a si fazer corresponder às personagens da fantástica BD, as personagens não menos fantásticas de um mundo não menos fantasioso que é a política, essa coisa estranha. Mas não faça essa correspondência no boletim. Faça-a nos comentários. No boletim, ponha bonequinhos, o jogo do galo, caras bonitas ou feias, gestos obscenos se quiser, mas faça alguma coisa. Olhe, ponha umas cruzes se achar por bem. Bons votos ou bons desenhos.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Quem cala consente



Quanto tempo mais é que vamos ter de esperar, para que o MR PRESIDENT, se resolva a falar e a explicar esta embrulhada toda? Esteve calado, demitiu um assessor e agora está novamente calado...Não querendo entrar na campanha eleitoral, já o está a fazer, pela omissão. Dizia ele, quando ainda não se tinha calado, que a campanha eleitoral não era o momento para falar...pois não, sr presidente, o momento para se explicar foi no mês passado, no dia seguinte às denúncias dos "disparates de Verão"... Quer dizer, a campanha não é altura para falar, o fim da legislatura não é altura para aprovar leis das uniões de facto (porque falta a discussão fracturante, dos temas fracturantes, está sempre tudo a fracturar-se)...E quando é altura, sr presidente, para começar a desempenhar o cargo para que foi eleito?Deixe-me adivinhar...é para depois das eleições?! O pior é que depois desta há outra e pelo que parece, lá vamos ter mais silêncios e mais leis não aprovadas pelo sr professor presidente, porque afinal, vamos estar novamente em campanha eleitoral. Quem espera sempre alcança? Ou quem espera desespera?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Os médicos



Num laivo assim mais ou menos literário, mais ou menos em tom de romance ou mais ou menos realista, proponho-me falar sobre esta estranha gente a quem chamamos, hoje em dia, médicos.
Quem, de entre nós, nunca olhou com um certo misto de admiração, repúdio e dúvida, para aquelas pessoas a quem foi atribuída a nobre missão de curar as maleitas dos outros, de salvar a vida dos outros, de deixar a sua família e os seus amigos, para salvar as famílias e os amigos dos outros ou até de os enfim, como direi, "matar" com os seus erros e enganos?


Na realidade,após passarem 6 anos na faculdade, após um pesado e cansativo exame para a especialidade, e depois de mais 5 ou 6 anos no internato para se tornarem especialistas, eis-que, após terminarem o seu caminho doloroso, lhes é pedido que salvem o maior número de pessoas que conseguirem e, se possível, que se enganem pouco ou nada, para que o número de pessoas mortas por eles seja o menor.

O seu papel é assim um pouco semelhante ao de Deus, havendo até médicos que, levados por este sentimento colossal do "acabei de lhe salvar a vida", possuem este síndrome do divino, de acharem que têm o poder em forma de conhecimento para dar ou tirar a vida. Reconheçamos realmente. que não é qualquer pessoa que, passadas 24h de urgência e chegada a casa, pode dizer "Hoje salvei 10 pessoas e perdi outras tantas". É porque os médicos têm esta nobre tarefa de serem médicos e pessoas ao mesmo tempo, de se conseguirem deslocar do seu próprio corpo, para se visualizarem no corpo dos outros, é porque salvam vidas e dos seus meros enganos, erros e distracções pode advir a morte de alguém, é por causa disto tudo que os admiramos e odiamos ao mesmo tempo.

O que é que lhes pedimos então? Pedimos-lhes coisas tão simples como, perante alguém a quem o coração parou, que façam o diagnóstico, instituam a terapêutica e recuperem a pessoa "morta" em menos de 2 minutos. Pedimos-lhes que, perante 150 doentes na urgência com tosse, que saibam discernir, às 4 e tal da manhã,após quase 20 horas de trabalho, quem de entre os com tosse tem uma simples gripe, 100,uma pneumonia,30,uma reacção adversa a medicamentos, 10, um cancro do pulmão,5 ou embolia pulmonar rapidamente fatal, 5.

Há uns meses atrás, dizia-me uma doente, já fortemente debilitada devido à agressiva terapia contra o cancro e com uma pneumonia grave bilateral, "Não se esqueça, doutor, que não há quem diga um ai e que não esteja a doer". É bem verdade isto, e nunca me esqueci. Cabe-nos então a nós, médicos, tratarmos não a anemia, a pneumonia, o cancro, o enfarte, mas sim a pessoa com anemia ou com enfarte ou com cancro. A dor trata-se com drogas, sim, mas não só. A vida dos médicos é estranha, a vida dos médicos é paradoxal e, como disse alguém importante, "a vida dos médicos não é fácil e é essencial que o não seja".

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sobre a corda



A forma como nos relacionamos é tudo menos simples. Desde a descoberta inicial até ao fulgor do sabermos exactamente aquilo que queremos, desde a dúvida de quem dá os primeiros passos quando até então só gatinhava, a angústia de quem parte a saber exactamente o destino mas a desconhecer por completo o caminho que terá de percorrer. É assim que vamos e que andamos nas pedras do caminho do amor. O dilema constante de caminhar e de por os pés nos sítios certos, a descoordenação dos sentimentos, a ataxia do amor atinge-nos como um relâmpago. E não estamos assim somente por estarmos apaixonados. Vivemos isto porque o sentimento, a paixão, é para com um outro semelhante a nós e é justamente porque o outro se nos afigura tão semelhante, que temos medo. Temos medo de caminhar em direcções opostas. Temos medo das expectativas dissonantes. Temos dúvidas se andamos do mesmo lado do passeio ou se simplesmente nos cruzamos quando íamos em sentidos trocados. Do mesmo lado do passeio do amor sim.


E se eu não chegar ao meu destino? E se, no caminho, as encruzilhadas me atrapalharem e eu tomar o trilho que leva ao desespero? E se eu não conseguir seguir pelo caminho certo, porque ele é traiçoeiro e difícil e os meus pés não aguentarem? Não depende só do caminho e do destino. Depende de quem o percorre e de quem a ele chega. É que é dentro de quem caminha que se vivem as coisas. É dentro dele que se afiguram todas as possibilidades. Não é senão na sua esfera interior que surgem o plano, os actores e os cenários. E ele sabe tão bem que tudo pode falhar, porque tudo aquilo foi sua criação. E é tomados pelo desespero que temos de estar. Neste milieu interior de dúvida, de medo e de angústia , seguimos em frente. Tropeçamos, caímos, mas seguimos em frente. Porque o caminho atrás de nós vai-se fechando. Não há retorno. Amamos enquanto caminhamos no sentido do amor. Amamos enquanto não sabemos o que é o Amor. Desconheçemos o propósito, mas sabemos exactamente ao que é que ele sabe, ao que é que ele cheira, porque o sentimos todos os dias debaixo da pele. Cheio de certezas e de dúvidas. Os paradoxos do caminho do amor atingem-nos como um trovão. Mas amamos. Mas amo, sei que amo, porque o sinto, apesar de não saber o que ele é. Sei que é o destino, sei que é para lá que corro todos os dias, mas dele não tenho mais senão fugazes vislumbres. E deixo-me ir. Arrastado sabe-se lá por que corda e muito menos por quem a puxa. Sinto-a enroscada no meu corpo e não luto por me libertar. Já fui livre dela, já me tentei libertar dela quando me atingiu por outras ocasiões… mas não agora. É que nessas outras ocasiões o força da corda magoava e desta vez não. Desta vez deixo-me ir, porque sei que quero ir, porque sei que quero acabar sufocado até aos olhos. E deixo-me embriagar, deixo-me modificar por este sentimento que me invadiu sem pedir autorização para entrar. Chegou sem avisar, entrou sem bater, instalou-se sem pedir e modificou-me sem sequer explicar ao que vinha. “Tens de viver comigo” disse num tom de gozo de quem sabe ter razão mas não ter meios de o provar. E eu fiquei mudo e não soube o que dizer. Porque as palavras estavam presas e não se soltaram. Porque me queria defender da invasão mas não fui capaz porque ela já cá estava e de cá não tinha intenção de sair. E deixei-me arrastar… deixei-me levar. Não posso dizer que foi voluntário, mas foi inevitável. É como a inevitabilidade de termos de respirar e encher periodicamente os pulmões.



Puxa-me esta corda de soslaio, amarrou-me qual presa fácil e eu não resisti. E não resisto. Porque vivo a corda entrelaçada, mas não sei quem a puxa. E a corda é aquilo que nos une, está no meio de dois termos de fio. E fico e vou ficando, na esperança que a corda me ajude a percorrer os caminhos do amor. Aliás, a corda é esse caminho, a corda é o amor. Quem a puxa é o objecto de amor que eu não conheço ainda. Mas sei que ele me puxa com força, porque o sinto dentro do peito. E senti-lo dentro do peito, atinge-me como uma tempestade. Esta corda das tormentas, esta corda que arrasta o mau tempo e que lança raios de luz que rasgam a uniformidade das trevas, esta corda é a minha vida. Estou no caminho que não escolhi mas que tenho de percorrer. Sei o destino mas não o conheço. Sei esta corda que me aperta a carne mas não me posso libertar dela, mas não me quero libertar dela. Por isso, deixo-me ir e nesta noite eu vou ser único. Nesta noite, eu vou chegar ao fim dos ladrilhos que piso. Esta noite vou ver quem me puxa. Assim sonho a cada passo que dou. Na vã esperança de ver quem me puxa. E sou eu, e sou assim, caminhante, amarrado e com um destino à minha espera. Vou para ele… é só uma questão de viver.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Portugal ferreirista e as burkhas disfarçadas.


É hilariante e absurdamente grotesco ouvir Manuela Ferreira Leite dizer que se quer destruir as famílias e as bases da sociedade, ao caminhar-se pelas estradas da nova lei das uniões de facto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo ou na legislação que desembrulha o embrulhanço do divórcio. A líder do PSD não entende que não é dificultando o divórcio, que não é criando processos de divórcio morosos, lentos e burocratizados, que não é restringindo o casamento a heterossexuais nem desvalorizando e remeter para o campo das "coisas menores" as uniões de facto, que a sociedade se constrói melhor em si mesma. É justamente uma sociedade que tolera, que respeita a diferença e que não trata de forma diferente as desigualdades que lhe são intrínsecas, pois que estas desigualdades existem e evoluíram até aqui, pelo mérito e respeito que lhes são inerentes. Não podem as sociedades, nem as politicas, nem as leis impôr uma visão de valores e de ideias, baseadas em puros dogmas de religiosidade, em visões de futuro e da vida em sociedade que se baseiam numa pseudo-tolerância cristã, ou em valores arcaicos que parecem muito bem quando ditos e tresditos, sem que eles traduzam aquilo que é a realidade e a natureza das coisas presentes. Votar PSD nas próximas eleições é votar numa ideologia arcaica, em que os valores não são mais do que a tradução mental de interiorizações católicas e espirituais. Votar PSD é votar num sistema de pensamento secular, colado a noções rígidas e dogmáticas que teimam em não se adaptar ao mundo contemporâneo. A visão de futuro, a visão progressista e inovadora, a visão de um sistema de valores que é, antes de mais, inerente ao Homem que vive em sociedade, ao ser social e ético que somos, e não a mandamentos ou assombros de pecado, essa visão de amanhã é partilhada pela esquerda moderna. Os valores sociais desta visão progressista são o resultado e a premissa de uma vida social colectiva. Esta futuro de modernidade, de adaptação à realidade, de progresso só pode ser alcançado votando contra as politicas arcaicas, discriminadoras, anti-sociais, inadaptativas,conservadoras e estáticas que são as políticas da direita.


Em que país vive Manuela Ferreira Leite? É certo que a líder da oposição gostaria de viver num em que o divórcio fosse fonte de problemas legais e burocráticos, em que a união de facto, ou de facto, as uniões que não o casamento, merecessem ser menosprezadas, desvaloralizadas, colocadas em segundo plano face ao casamento... quereria viver certamente num país em que só homens e mulheres pudessem casar e todos os outros não casados deveriam ser taxados por não cumprirem os pseudo-desígnios da sociedade e da família clássica cristã. Manuela Ferreira Leite não vive em Portugal nem na Europa da era moderna. Manuela Ferreira Leite gostaria de um Portugal de burkha...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Towards freedom


Culpada e condenada a mais 18 meses em prisão domiciliária. Ler notícia aqui.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Alice in wonderland

De quem mais podia ser senão do Tim Burton e metendo Johnny Depp à mistura? Resta saber a quem saiu o trunfo de ser a Rainha de Copas e mandar cortar a cabeça de toda a gente. Se bem que não é necessário alguém mandar fazer isso, senão veja-se o que gente conhecida faz em Portugal publicamente...autênticas decapitações auto-infligidas. É para Março de 2010, que é como quem diz em Portugal, aí lá para o Natal desse ano.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A importância da coisa, do coiso e do coiso na coisa.

"Satisfaction (sexual, life, relationship and mental health) is associated directly with penile-vaginal intercourse, but inversely with other sexual behaviour frequencies"
Stuart Brody and Rui Miguel Costa, West of Scotland University, Paisley

Estes fabulosos psicólogos, com base num estudo feito em 2810 indivíduos, concluiram que só o sexo vaginal é que está relacionado com satisfação pessoal e saúde física/psíquica e que todas as outras práticas estão inversamente relacionadas com estados de felicidade, realização, satisfação pessoal e saúde mental.
Mais, Broody S. e Costa RM afirmam que a falta de penetração vaginal pode explicar o maior número de homossexuais com problemas mentais. Que estranho... Eu pensava que as perturbações de ansiedade e depressão eram prevalentes nos gays e lésbicas talvez porque ainda vivamos numa sociedade em que eles são considerados pessoas de segunda, não pessoas, invertidos ou diferentes e ainda exista homofobia, que além de entranhada está institucionalizada. Pensava que os gays e lésbicas sofriam mais de depressão e ansiedade porque são empurrados para dentro do armário, do qual há séculos tentam sair.
Para rematar em beleza, dizem os autores que o VIH está a aumentar de prevalência nos heterossexuais devido às práticas de sexo anal essencialmente, remetando para o plano das "improbabilidades" a transmissão do vírus pela via vaginal. E como se já não bastassem estas "pérolas" da psicologia da sexualidade, dizem que a masturbação está associada a menos satisfação e que quanto mais se masturba mais infeliz e inrealizado é o praticante. (A masturbação inimiga portanto). "As pessoas devem ser encorajadas a ter o melhor coito vaginal possível." defendem os autores da obra prima.
Eu a pensar que a melhor forma de realização pessoal, sexual, saúde física e mental, é ter a relação sexual que quisermos, das múltiplas formas que quisermos, com quem quisermos e as vezes que quisermos...desde que haja acordo mútuo. Estava enganado afinal....

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A solução tarda...Aung San Kyi: Walk on!



A leitura da sentença de Aung San Suu Kyi, líder da oposição birmanesa e ativista dos direitos humanos foi, de novo, adiada pelo "Tribunal". Desde 2003 em prisão dimiciliária por se opor a um regime político ditatorial, tinha sido acusada de desrespeitar os termos da prisão domiciliária ao permitir que um jornalista americano pernoitasse em sua casa. Já anteriormente havia sido presa, na sequência da esmagadora vitória nas eleições de 1990 do seu partido, a Liga nacional para a Democracia, que a junta militar no governo recusou aceitar.


Assistimos, e temos vindo a assistir, ao diário atentado contra os direitos humanos do governo totalitário birmanês, que oprime e mantem presas as pessoas que, como Aung Kyi, lutam diariamente pelos valores da democracia, da liberdade e pela defesa dos direitos humanos.


O mundo deve a Aung San Suu Kyi (Prémio Nobel da Paz 1991) muito pela luta democrática. Obrigado Aung San Suu Kyi!

"Walk On, Walk On, what you´ve got they can´t deny, can´t sell it, can´t buy it, Walk on, Walk on, stay safe tonight." Walk on, U2, Música escrita para Aung San Kyi

Hospital de Todos os Santos




O Hospital de Todos os Santos vai substituir o actual Centro Hospitalar de Lisboa Central (São José, Santa Marta, Desterro, Capuchos e Estefânia), conta com a grande maioria das valencias médicas, médico-cirúrgicas e cirúrgicas, serviço de urgência geral, pediátrica e obstétrica.Fica situado no parque da Bela Vista, em Chelas. 789 camas, todas em quartos individuais com possibilidade de passarem a quartos duplos se houver necessidade.Vai também ser parte integrante do ensino da medicina, aos alunos da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (anfiteatros, salas de aula, biblioteca, videoteca, 2 salas de alunos). A inauguração e início de actividade estão previstas para 2012. Ficam aqui umas fotos arquitectónicas.

A pensar já no Internato Complementar? Maybe, maybe....

terça-feira, 28 de julho de 2009

Quem se lembra de Sophia?



"Ou era a Sophia ou era eu."

José Saramago, quando recebeu o Prémio Nobel da Literatura.

Porque os outros se mascaram mas tu não.
Porque os outros usam a virtude
para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
e os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
e tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

domingo, 26 de julho de 2009

O testamento vital

O CNECV emitiu o seu parecer, desde já desfavorável, sobre o projecto lei Nº788/X, apresentado pelo grupo parlamentar do PS e aprovado no parlamento em Maio, tendo a discussão do referido projecto sido adiada para a próxima legislatura. Este projecto-lei visa a "dignidade do doente, no que respeita à prática de actos médicos, garantindo um permanente equilíbrio entre a liberdade individual e o desenvolvimento da biologia e da medicina na prática médica e o carácter personalizado da relação médico-doente." Basicamente, era com este suposto documento que se regularizaria, em termos jurídicos, o chamado testamento vital, não obstante o facto de não se perceber o que de "vital" e o que de "testamento" tem o referido projecto. Creio que o termo "declaração antecipada de vontade" é bem mais rigoroso. Mas, nomes à parte, esta questão da declaração antecipada permite ao indivíduo, são e perfeitamente capaz, a possibilidade de deixar escrito que tipo de tratamento, acto ou conduta médica é que ele próprio permite que lhe seja feito (a), quando, por variadíssimas razões, não usufrua das suas plenas capacidades mentais, como por exemplo um estado vegetativo persistente.

O referido projecto-lei, realmente só em 2 de 24 artigos é que explicita esta questão da declaração antecipada de vontade, e fá-lo de forma bastante incompleta e imprecisa. Eis o que diz o projecto lei a este respeito:

"Artigo 14º
(Declaração antecipada de vontade)
1. Através da DAV, o declarante adulto e capaz, que se encontre em condições de plena informação e liberdade, pode determinar quais os cuidados de saúde que deseja ou não receber no futuro, no caso de, por qualquer causa, se encontrar incapaz de prestar o consentimento informado de forma autónoma.

Ao dizer-se "cidadão capaz" implica que existam cidadãos que não são capazes de fazer tal declaração. Quem são estes "não capazes"? Os alcoólicos crónicos são capazes ou não capazes? E os oligofrénicos? E as pessoas com depressão? E os doentes com depressão em tratamento? É importante que se defina quais são as características que definem a pessoa como capaz de fazer a DAV.

É essencial que se diga que os doentes, ao exercerem a sua autonomia, o fazem, não só para negar/recusar tratamentos mas também para os aceitarem. Aliás, a regra para quem faz clínica é a de que o doente "entrega" ao médico a sua vida e saúde e nele confia. Esta é também uma forma de exercer a autonomia de uma maneira não negativista como o documento, ás vezes, parece traduzir.Obviamente que desta "autonomia" e lógica do "o Sr. dr é que sabe" advém a conduta paternalista do médico, mas isto, é outra questão. A pedra angular da relação médico-doente é pois a confiança, e não propriamente a autonomia do doente exercida ao extremo de quem, por não ser a sua formação, não sabe o que é melhor para ele, se o tratamento X ou Y, se o fármaco A ou B ou C ou a combinação destes. É extremamente difícil o exercício pleno da autonomia, apesar do conceito em si ser mais do que lógico e sendo ele aliás um dos princípios éticos base em Medicina. O que questiono não é o conceito de autonomia, obviamente que defendo que todos os doentes devem ser informados e devem decidir, mas não se pode levar o conceito para o extremo, como que querendo passar toda a responsabilidade da decisão para o doente. Isto é particularmente válido em situações de urgência. Como exerce a autonomia uma pessoa que entra na urgência em paragem cardiorrespiratória? Há tempo para informar o doente sobre os riscos de uma cirurgia de reparação de um aneurisma da aorta abdominal que rompeu, dando todos os ingredientes para uma decisão ponderada e exercício pleno da autonomia?

Continuando com o documento:

" 5. A eficácia vinculativa da DAV depende (...) do grau de conhecimento que o outorgante tinha do seu estado de saúde, da natureza da doença e da sua evolução; do grau de participação de um médico na aquisição desta informação; do rigor com que são descritos os métodos terapêuticos que se pretendem recusar ou aceitar; da data da sua redacção; e das demais circunstâncias que permitam avaliar o grau de convicção com que o declarante manifestou a sua vontade"

A DAV não só diz respeito a procedimentos médicos que o doente recusa mas também a procedimentos que quer que lhe seja prestado. Está claro que os procedimentos que o doente quer que lhe sejam facultados podem não ser os correctos, quer em termos médicos, quer em termos sociais ou até morais. A eficácia vinculativa da DAV, conforme explicitada no projecto-lei, dá a ideia de ela poder ser, em qualquer altura, desconsiderada em face das características que enumera. Parece-me que trai o objectivo principal da DAV. Como se avalia o grau de convicção de uma pessoa que expressou um conjunto de vontades na DAV? Faz sentido sequer que se avalie isto na altura em que é a DAV que deve ser considerada? Como terá acesso o serviço de saúde à DAV de determinado doente em situação de urgência?

Estas questões que levantei estão explicitadas no parecer da CNECV. Obviamente que defendo e sou favorável à declaração de vontade antecipada e, como médico, respeito a decisão do meu doente informado. Creio contudo que o projecto-lei é impreciso e cravado de lacunas importantes que devem ser esclarecidas para que se construa uma lei de DAV verdadeiramente rigorosa e ética.

domingo, 19 de julho de 2009

Os sangues dos outros


Defende a Associação Médicos pela Escolha a aplicação das normas europeias (2004/33/CE) que vinculam automáticamente os Estados Membros a não conter qualquer referência à discriminação de doadores homossexuais masculinos:
"Permanent deferral criteria for donnors of allogeneic donations (...) Sexual behaviour: Persons whose sexual behaviour puts them at high risk of acquiring severe infections diseases that can be transmitted by blood."
Apesar de, o critério discriminatório "homens que têm sexo com homens" tenha sido retirado da página do Instituto Português do Sangue, em 2005, mantém-se nos manuais que "estão já a ser revistos". Tarda contudo a publicação da dita revisão e a nova lei orgânica do IPS.
Só a testagem de TODO o sangue permite uma maior segurança e qualidade de todos os hemoderivados.

sábado, 18 de julho de 2009

O estranho caso de Hannah Clark

Hannah Clark, 16 anos, recebeu, quando tinha apenas 2 anos, o diagnóstico de Insuficiência Cardíaca devido a uma miocardiopatia, que é uma doença primária do músculo cardíaco. Basicamente, o seu coração era incapaz de contrair eficazmente para bombear o sangue aos seus órgãos. Recebeu, nessa altura, um transplante de coração, preservando contudo o órgão original que não foi retirado. Teve de ser submetida a intensa terapêutica imunossupressora (para o seu organismo não rejeitar o órgão transplantado) ao longo da vida. Como consequência da imunossopressão desenvolveu cancro, que é um dos problemas deste tipo de terapêutica. Com base na impossibilidade de continuar essa medicação, o órgão transplantado teve de ser retirado e, admiravelmente, o coração, inicialmente doente, recuperou completamente a sua função, permitindo-lhe, hoje, viver normalmente com ele.

Não é comum este tipo de recuperação e é realmente admirável quando se assiste, em Medicina, a este tipo de "milagre". É uma lição para todos nós, médicos e outros, que os diagnóstico mais desfavoráveis, podem ter os desfechos mais imprevisíveis.

O oito e o Oitenta. Apresentação

É no mínimo estranha e caricata a forma como ele surgiu. Desde que entrou na sala, desde que pela primeira vez se sentiu humano, ele confrontou-se com esta avassaladora realidade que é quando nós, eu e tu, deixamos de o ser, para passarmos a ser os outros, para passarmos a estar com os outros, para deixarmos de ser 1 só connosco, para nos tornar 1 só com os outros. É socialmente que nos construimos, é socialmente que nos relacionamos, é indubitável que a nossa mais profunda essência humana passa pelo estar na mais profunda solidão social. Somos um só entre tantos e tantos num só.

Pretendo, com este espaço meu, partilhar convosco algumas ideias, que pretendo que sejam variadas, amplas, plenas...basicamente abordar o oito e o oitenta, sem esquecer os permeios.